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Mai 14

E agora? E agora eu é que pergunto, que raio se passa? O problema são as malditas perguntas. O meu senão também se compõe de inúmeras perguntas. Estou sempre a perguntar. Se devo isto, se devo aquilo… se acho isto, se acho aquilo… se posso isto, se posso aquilo… e enquanto elaboro estas perguntas e acrescento outras na sequência, tornando-se depois redundantes, não passo daqui. Salto para o chão e não saio disto. E ainda me encontro a achar que estou a pensar coisas importantes e a coordenar aventuras. Sim, talvez, mas só na teoria. Na prática, tudo não passa do nível do chão. É tão meu amigo que não me deixa cair mais e eu não me ponho a subir. É que fico convencida que só depois de ter tudo devidamente planeado é que será tempo de subir o primeiro lanço. Mas não me lanço. Isto é assim e sempre assim. E, se olhar bem em meu redor, o chão está mais cheio que o primeiro andar. Está cheiinho de gente como eu e outros que nem tanto. A meio do patamar ainda consigo ver alguéns, uns a olhar para baixo, outros de olhos fechados e outros de olhos postos lá em cima embora ainda vacilantes. No primeiro andar também vejo alguém debruçado como que a olhar para baixo com um olho cerrado e outro aberto. Ainda me parece ver outro alguém com um olho revirado para cima e outro revirado para baixo. Isto faz- me rir. Sim, eu escuso de olhar para baixo… não vejo subníveis no zero. Sempre que vislumbro um -1, aí não tenho dúvidas, mudo de cenário, dous às barbatanas como se estivesse ao nível da água e não quisesse afundar-me. Sim, todos os cenários são possíveis. Na cabecinha, tudo é possível, para o bem e para o mal. E há ainda aqueles dias em que dá vontade de jogar ao “malmequer, bem-me-quer”, confiando tudo ao destino incontrolado. Continuo a olhar para cima e ainda consigo ver caras no segundo andar, menos no terceiro e algumas raras, escondidas no quarto. Daí para cima só se inclinar muito a cabeça, dobrando bem o pescoço, esticando bem a coluna e equilibrando-me nos biquinhos dos pés até deixar de ver a olho nu o que quer que seja. De elevador punha-me lá num instante, mas o elevador leva só algumas pessoas e, a ver pela coisa, vai sempre carregado com alguns predestinados sem saber para onde vão, e nem lhes interessa, porque vão lá para não fazer nada, tão só retiram o que os favorece, desfavorecendo outros! Não importa porque tem de ser assim. Vou ou não? E voltamos às perguntas. As malditas perguntas.

publicado por Gabriela Lima às 12:19

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