30
Mai 14

Agarra-se para não mais largar. É o que dizemos sempre. Será que somos assim tão constantes? Melhor seria dizer, perseverantes. Às vezes, tenho a impressão de que a minha vida é uma manta de retalhos, tão interconectados como claramente desconectados, mas a verdade é que formam a minha manta e, portanto, em algum momento eu os tenho ligados por motivos de transversalidade. Li um artigo algures, um dia destes, que pequenas coisas aparentemente soltas formam algo coeso e até de grande dimensão. Eu olho para os meus retalhos e, a ver bem de perto, eles têm algo de comum e, afinal, na distância encontram-se pontes e são pontes que podem levar a um caminho, porque eu sou aquilo tudo. Estamos tão habituados a separar as coisas que nos esquecemos de as interligar. Ao primeiro olhar, parece uma parvoíce. O que tem A a ver com B? Ah, mas até pode ter! Afinal, todos os retalhos constituem aprendizagens e nós só temos de tirar partido delas, reconhecê-las, voltar a estudá-las, aprimorá-las e fundi-las em algo muito melhor e útil. Há um certo sentido de "inutilidade" gerado e alimentado pelas sociedades, hoje. Mas a verdade é que o próprio sentido de "inutilidade" pode ser utilizado como forma de alerta para não deixar cair. Quantas e quantas vezes (se calhar também mesmo os grandes empresários) sentiram esse impulso de se sentirem "inúteis". A forma como se trata essa impressão é que, de certo modo, modela o percurso a seguir. Sim, na base disto está uma grande insegurança, mas as pessoas seguras também são extremamente inseguras... às tantas, são as mais inseguras, porque têm predisposição natural para isso, mas à força de serem assim, reforçaram as suas defesas para superar, continuando, sendo perseverantes...

publicado por Gabriela Lima às 10:48

28
Mai 14

 

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A tendência é algo que tendemos a ter. É inevitável. Todos seguimos mais este ou aquele pendor. Depois há quem seja mais ou menos constante num dos pendores. Sou de signo balança e parece que não deixo ficar mal o meu signo no que toca a balançar. Também é certo que a força do balanço permite dar pulos maiores ou menores. A minha balança também encontra fases de equilíbrio, mas nunca permanece parada, porque os ventos arremessam de todos os lados, e a balancinha começa a balançar... e inicia a dança pendular a perscrutar a tendência. Se se souber ouvir bem a tendência, podemos senti-la melhor e definir se se trata de uma tendência melhor ou pior. Se a sensação nos faz sentir melhor, será também de considerar mais de perto essa tendência e deixar-nos balançar para o curso dela. Se a impressão é menos boa, tentamos contrariá-la, movendo o campo de força para que nos balance para o curso oposto. Não sei se isto é mesmo assim, mas a perspetiva ajuda a situar-me e a mover-me, adaptar-me... e agarrar com a mão essa nova ou renovada tendência...

publicado por Gabriela Lima às 16:06

Repor os dados na cabecinha. Sempre que há empates devidos a perguntas, a isto ou àquilo, o melhor é repor os dados na cabecinha. E nada melhor do que começar novamente do zero, que já nunca é tão zero, e pegar nos dados repostos e recolocá-los, talvez encontrar uma configuração diferente, não importa, e passar à implementação tal como está. Encontra-se depois as pontas soltas e, na verdade, continua-se a tecer a manta, porque o zero não é verdadeiramente zero, é um zero cujo cálculo inclui mais algum peso na balança reposta, portanto, conta-se a partir daí. Depois já se sente novamente o alento. E com ele, inevitavelmente, lá tentam emergir mais perguntas... então, para-se, olha-se para o bolo e vê-se já um novo aglomerado de ideias e reveses. Ai o tremeliques outra vez... não importa, é como andar de bicicleta pela primeira vez, treme-se, vamo-nos apoiando num pé e no outro até conseguirmos... se não há critério nem preferência, escolhe-se uma ideia qualquer para avançar e dá-se a volta a um revés. De tantas coisas que há para fazer, é sempre bom fazer uma, e depois outra... e vai-se vendo como corre. Isto porque não há grande critério nem plataforma segura. Na verdade, vai-se no encalço deles. Se a impressão é de crescimento (ainda que só potencial, nesta fase), o caminho deve estar mais certo. A tendência foi escrever "não deve estar muito errado", mas a constante tendência de usar a negativa pode não contribuir tanto para a positiva. A tendência... a tendência...

publicado por Gabriela Lima às 16:05

20
Mai 14

E agora? E agora eu é que pergunto, que raio se passa? O problema são as malditas perguntas. O meu senão também se compõe de inúmeras perguntas. Estou sempre a perguntar. Se devo isto, se devo aquilo… se acho isto, se acho aquilo… se posso isto, se posso aquilo… e enquanto elaboro estas perguntas e acrescento outras na sequência, tornando-se depois redundantes, não passo daqui. Salto para o chão e não saio disto. E ainda me encontro a achar que estou a pensar coisas importantes e a coordenar aventuras. Sim, talvez, mas só na teoria. Na prática, tudo não passa do nível do chão. É tão meu amigo que não me deixa cair mais e eu não me ponho a subir. É que fico convencida que só depois de ter tudo devidamente planeado é que será tempo de subir o primeiro lanço. Mas não me lanço. Isto é assim e sempre assim. E, se olhar bem em meu redor, o chão está mais cheio que o primeiro andar. Está cheiinho de gente como eu e outros que nem tanto. A meio do patamar ainda consigo ver alguéns, uns a olhar para baixo, outros de olhos fechados e outros de olhos postos lá em cima embora ainda vacilantes. No primeiro andar também vejo alguém debruçado como que a olhar para baixo com um olho cerrado e outro aberto. Ainda me parece ver outro alguém com um olho revirado para cima e outro revirado para baixo. Isto faz- me rir. Sim, eu escuso de olhar para baixo… não vejo subníveis no zero. Sempre que vislumbro um -1, aí não tenho dúvidas, mudo de cenário, dous às barbatanas como se estivesse ao nível da água e não quisesse afundar-me. Sim, todos os cenários são possíveis. Na cabecinha, tudo é possível, para o bem e para o mal. E há ainda aqueles dias em que dá vontade de jogar ao “malmequer, bem-me-quer”, confiando tudo ao destino incontrolado. Continuo a olhar para cima e ainda consigo ver caras no segundo andar, menos no terceiro e algumas raras, escondidas no quarto. Daí para cima só se inclinar muito a cabeça, dobrando bem o pescoço, esticando bem a coluna e equilibrando-me nos biquinhos dos pés até deixar de ver a olho nu o que quer que seja. De elevador punha-me lá num instante, mas o elevador leva só algumas pessoas e, a ver pela coisa, vai sempre carregado com alguns predestinados sem saber para onde vão, e nem lhes interessa, porque vão lá para não fazer nada, tão só retiram o que os favorece, desfavorecendo outros! Não importa porque tem de ser assim. Vou ou não? E voltamos às perguntas. As malditas perguntas.

publicado por Gabriela Lima às 12:19

15
Mai 14

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Um dia destes atravessava a ponte da Arrábida de autocarro, acho que na direção do Porto, e dou por mim a imaginar um salto bungee a partir dela… que arrepio que me deu. Depois disto, começo a relacionar que se não me corre melhor a vida, ou seja, subir na vida, é porque eu tenho um medo terrível de cair. Começo a ficar ourada ao olhar para baixo, a sensação de piso seguro trepida e a vertigem torna-se ela mesma vertiginosa. Estou nisto a pensar em tudo e nada e não me sai da cabeça que é esta a razão não do meu insucesso, mas da falta de mais sucesso. Depois vêm-me divagações sobre ser mais atrevida aqui e ali e volta tudo ao mesmo. Não me atrevo, porque a vertigem me impede de o fazer. Claro que a grande vertigem sou eu mesma, mas como anular a vertigem em mim e deixar-me subir mais uns degraus sem medo que o corrimão caia e me leve com ele? De repente sou açulada por uma série de imagens que me catapultam na vida em várias áreas e começo a sonhar ser isto e aquilo. Não vou lá chegar, agora não por causa das vertigens, mas por me ter vergado a elas lá atrás e ser agora algo inoportuno. Para alguns exageros sim, para outros talvez não, continuo. Começo a alargar a escala de resistências… não se trata só de vertigens, afinal há outros obstáculos que se prendem com esta forma de ser ou mesmo de querer ou não querer ser. A pergunta que se me ocorre é logo esta: mas eu estou como quero ou não? Então se eu quero isto e aquilo, se calhar também não vou poder ter isto e aquilo. Quero mais isto ou aquilo? Olha, eu talvez possa ter isto e aquilo, mas aqueloutro não! Como posso fazer para manter isto e alcançar aquilo? Bolas, tenho ou não condições? Posso criá-las ou não? Quero criá-las ou não? Quero dar-me ao trabalho ou não? Começar é lançar, continuar é dose, posso e quero fazê-lo? Aproxima-se a paragem em que vou sair. Está um dia fabuloso, sol e calor à farta até mais não. Sinto-me cheia de vigor e vontade de fazer. Posso começar agora? Já? Saio do autocarro, num pulo alcanço o chão do passeio. E agora?

publicado por Gabriela Lima às 09:45

08
Mai 14

Tenho este espaço como uma forma de partilha de pensamentos e impressões que são tão fortuitos quanto relevantes, coisas minhas e, se calhar, de muitos, se não de todos. Talvez se assemelhe a algo como um diário... se calhar, melhor, um periódico... não sei e não interessa, é um blogue :-)

publicado por Gabriela Lima às 12:03

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